Transporte

 

Porque NÃO despachamos filhotes

Estamos em São Paulo, mas muitos dos contatos que recebemos são de outros Estados. E muitas vezes somos questionados sobre “vocês despacham para tal lugar” ou “qual o valor do frete para tal lugar”. A resposta é sempre a mesma: NÃO despachamos filhotes para viajarem sozinhos; quando a pessoa não pode vir buscar seu bebê, combinamos e vamos entregar.

Entretanto, por que isso? Não é mera chatice.

Normalmente, liberamos nossos filhotes em torno dos sessenta dias de idade. Nessa época, eles já tomaram a primeira dose de vacina, já foram vermifugados algumas vezes, já estão se alimentando bem e sozinhos, já estão socializados com a casa, com pessoas e com os cães mais velhos (passam bastante tempo em seu “bercinho”, afinal, dormem boa parte do dia, mas quando estão despertos, ficam soltos com o pessoal, brincando, aprontando e, lógico, até tomando uns super essenciais “chega-pra-lá” (como seria na natureza). Mas isso de forma alguma significa que já não são frágeis e que estão aptos a circular em terminais de carga e vans de empresas de logística, sendo manipulados para lá e para cá por longas horas sem sair de uma caixa. Fora que, obviamente, o bebê estranha isso tudo, se assusta e se sente inseguro. No nosso ponto de vista, isso é maus-tratos com um filhotinho de dois meses.

Isso sem contar dois fatos muito importantes:

1. Com apenas uma dose de vacina, que é o que está de acordo com a idade, filhotes NÃO estão imunizados contra doenças infecto-contagiosas sérias. Sendo transportados como carga, sua caixa circula por mil lugares públicos, podendo, sim, vir a ter contato com agentes bem nocivos.

2. Por mais que as empresas trabalhem bem, o fato é que nenhuma delas se responsabiliza de verdade pela vida do filhote. Tanto que temos que assinar uma série de termos, tanto que algumas raças sequer são aceitas para serem transportadas. Se acontecer algo errado durante o transporte, enquanto o filhote não estiver sob as vistas de ninguém, o máximo que se consegue é uma indenização na justiça, que não cobre nem uma pequena parte da dor do ocorrido.

Por isso, o bebê que vai viver longe daqui tem que ser transportado da única forma realmente segura, qual seja, ACOMPANHADO (seja em carro, seja na cabine do avião). E nos esforçamos ao máximo para que isso aconteça. De novo, quando a pessoa não pode vir buscá-lo, nos programamos para ir entregar, emprestamos bolsa de transporte se a pessoa precisar (afinal, será usada uma única vez, é só devolver por sedex)… A gente só não despacha mesmo, de forma alguma.

Nas fotos, a carinha feliz da Eve, o tempo todo com alguém e sendo mimada até pelos atendentes da companhia aérea enquanto fazíamos o check-in diz tudo.

PS: fora o bônus nota dez: a gente se conhece pessoalmente!!!